A mobilidade urbana deve receber abordagem não só tecnológica, mas cultural e econômica. A opinião é de Marcelo Sodré, membro do conselho diretor do Instituto de Defesa doConsumidor (Idec), um dos entrevistados pela Rádio Brasil Atual para debater a viabilidade do automóvel como principal veículo de transporte dos habitantes das grandes cidades.

Para Sodré, a opção pelo carro é sintoma de problemas que devem ser debatidos sob um espectro maior que apenas o da mobilidade. "Se 20% da população consome 80% dos recursos naturais, podemos fazer uma abordagem mais ampla para analisar um modelo econômico que leva a uma série de injustiças."

Já Fúlvio Gianella, coordenador executivo do Idec, enfatiza o papel do consumidor sobre as emissões veiculares e a eficiência energética, por ser "o agente e a vítima de todo esse processo".

O crescimento das vendas de carros é comprovado por dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). No ano passado, o número de licenciamento de veículos aumentou 8,3% em relação a 2011. A importância do tema fez o governo brasileiro estabelecer um novo regime automotivo no ano passado. Segundo a nova regulamentação, até 2017 deve haver uma redução de até 12% do consumo médio de gasolina. Há isenções fiscais de estímulo às empresas que atingirem as metas.

Contudo, Marcelo Sodré pontua que tecnologia não é a única saída para o problema: "Quando colocamos só a tecnologia – e não a cultura e a economia – no centro das nossas discussões caímos numa armadilha do 'dilema', em que qualquer problema criado pela tecnologia pode ser resolvido por ela." Segundo dados do Idec, pelo menos 14 grandes montadoras disputam o mercado brasileiro de automóveis e a maioria delas ignora a etiqueta de consumo do combustível.

alita InabaPortal do Trânsito