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Opinião: Como vejo o mercado de seguros em 2030

Opinião: seguro automotivo em 16 anos
Opinião: seguro automotivo em 16 anos
Roberto G. Uhl* fala sobre as expectativas para o setor de seguros, em especial o automotivo.
Quando criança, sempre imaginei em ter uma máquina do tempo, onde pudesse viajar e descobrir como seria nossa sociedade, em um futuro não tão distante. Mais recentemente, voltei com estes pensamentos, mas traçando um paralelo com o mercado onde atuo e sempre atuei e decidi transcreve-los. Considerando as tendências sociais, econômicas e tecnológicas, o mercado de seguros em 2030 será completamente diferente.
As seguradoras, que serão em menor número do que as que existem atualmente, atuarão puramente como gestoras dos fundos de risco, zelando pela sua solvência e resultados. Todo o resto da cadeia, sendo a distribuição, os serviços agregados e benefícios serão feitos por empresas separadas, que até poderão pertencer às seguradoras, mas terão vida independente.
O processo de contratação passará por profunda transformação e nada se lembrará do modelo atual. O segurado não irá preencher questionários de avaliação e as seguradoras não irão fazer análises de risco e emitir propostas ou cotações. Com o volume de dados cada vez mais disponível, as seguradoras já terão acesso a todas as informações necessárias (e até as desnecessárias) para a tomada e formalização do risco. O atual certificado de cobertura em papel será substituído por aplicativos e sistemas específicos voltado para multimídias, onde os segurados poderão acessar e acionar o seguro de forma online. Lembrando que a internet será muito mais rápida, estável e acessível.
O pagamento do seguro será feito por moedas digitais ou cartão de crédito.
Outra característica importante será o monitoramento em tempo real do risco pela seguradora. Ou seja, quando uma pessoa utilizar seu carro “eco automatizados ”, a seguradora saberá onde está rodando o veículo, se a região é propensa a sinistros, se possui alto índice de roubo ou se é uma estrada perigosa, propensa a acidentes e até mesmo saber e informar de que forma com que o veículo está sendo conduzido está agravando o risco, por exemplo, se o motorista está a 200 km/h em uma via com pista molhada, se os freios estão desgastados e precisam ser trocados, se a calibragem dos pneus está desregulada ou se o carro está dentro do subsolo de um estacionamento vigiado.
Inclusive nos seguros de pessoas, a seguradora poderá obter informações muito mais precisas e até se antecipar se o segurado estiver em situação de perigo, que possa acarretar em acidentes ou mesmo morte.
A classificação de ramo de seguros como existe hoje também cairá em desuso e existirá o risco e a sua respectiva cobertura e as seguradoras, inclusive, serão capazes de informar, em tempo real, se o evento experimentado pelo segurado foi passível de cobertura ou não.
Para cada risco haverá inúmeras opções digitais de serviços de prevenção de perdas , de assistência e até mesmo de antecipação de sinistros para os segurados, com o objetivo de evitar a experiência de um sinistro e logicamente evitar ou mitigar perdas. Assim, as relações com os segurados serão muito mais transparentes e recíprocas, fazendo com que a instituição seguro ganhe ainda mais relevância para empreendedores e cidadãos.
Com relação aos corretores de seguros, permanecerá o papel de principal distribuidor, mas os trabalhos burocráticos e o apoio no processo de contração e pagamento não serão mais tão necessários e a participação dos corretores neste cenário será a de agregador dos seguros e serviços disponíveis, inclusive com produtos de marca própria.
Finalmente, ressalto que erros em previsão são muito normais, inclusive muito mais factíveis que o próprio acerto e a minha pretensão, muito mais que acertar o futuro ou descrever um cenário perfeito, é convidar a todos que trabalham no mercado segurador a pensar no futuro desta indústria, pois além de divertido pode ser uma ótima oportunidade de inovação e transformação.

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