Banner2

Banner1

Aumento da jornada de trabalho de caminhoneiros pode aumentar riscos nas estradas

 POR  

Cerca de 80% dos caminhoneiros sentem sono ao volante com jornadas exaustivas
Cerca de 80% dos caminhoneiros sentem sono ao volante com jornadas exaustivas
A sanção sem vetos da Lei do Caminhoneiro, que amplia a jornada de trabalho dos caminhoneiros pode por em risco a vida de milhares de brasileiros que utilizam rodovias pelo país. Setores ligados ao transporte de cargas afirmam que permitir que o caminhoneiro dirija por um período exaustivo é um ato criminoso.
Com a nova lei, perde o efeito a jornada obrigatória de oito horas, com direito a duas horas extras. O permitido, a partir da sanção presidencial, é de até quatro horas extras, passando para 12 horas. De acordo com o texto, a cada seis horas no volante, o motorista deverá descansar 30 minutos, mas esse tempo poderá ser fracionado, assim como o de direção, desde que esse último seja limitado às 5,5 horas contínuas. Já o descanso obrigatório, de 11 horas a cada 24 horas, poderá ser fracionado, usufruído no veículo e coincidir com os intervalos de 30 minutos. O primeiro período, entretanto, deverá ser de 8 horas contínuas.
O Programa SOS Estradas estima que 2 mil pessoas devem morrer em função de acidentes provocados por motoristas profissionais com excesso de fadiga. Quando o tema entrou em discussão, o Ministério do Trabalho, especialistas e parlamentares ligados a segurança no trânsito apresentaram à Presidência da República estatísticas que evidenciavam os efeitos da nova legislação. Em 2007, o MPT ouviu 104 caminhoneiros examinados durante operação nas rodovias do Mato Grosso. Cerca de 80% dos profissionais abordados pelos promotores relataram sentir sono em serviço.
DemandasDe acordo com a Secretaria Geral da Presidência, também será atendida de imediato a demanda do setor para prorrogar por 12 meses as parcelas de financiamentos de caminhões adquiridos pelo ProCaminhoneiro e Finame.
Para a União Nacional dos Caminhoneiros, acordo celebrado pelas entidades representativas de autônomos, na reunião realizada no Ministério do Transporte, que não contou com a participação de membros da UNICAM, quanto à questão da prorrogação de pagamento, por um ano, das prestações dos financiamentos Procaminhoneiro, em nada atinge a categoria, pois o transportador autônomo, de fato, jamais conseguiu ter acesso efetivo ao programa.
O excesso de peso e transbordamento de cargas passa a ser responsabilidade de quem contrata o frete. A nova lei garante ainda que as estradas recebam mais pontos de descanso para o motorista profissional.
A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) afirmou que a sanção da lei desta forma vai aumentar os riscos de acidentes nas estradas, pedágios mais caros, fretes a custos elevados e, consequentemente, alta dos preços ao consumidor final sobre os produtos. “O que poderia ser um avanço para a categoria vai se transformar num grande retrocesso para a profissão, pesar no bolso dos brasileiros e aumentar as taxas de acidente e mortalidade na estrada”, diz o texto.
Metade dos caminhoneiros já usou drogas para dirigirAs jornadas exaustivas de trabalho e a distância do lar já levaram pelo menos metade dos caminhoneiros no Brasil a usarem estimulantes como anfetaminas e outros tipos de drogas para vencer o sono depois de mais de 10 horas ao volante. É o que revela a pesquisa “As Drogas e os Motoristas Profissionais”, publicada pelo Programa SOS Estradas.
Especialmente nas rodovias concessionadas, equipes de emergência prestam socorro invariavelmente a motoristas profissionais já em estado de pré-overdose. O quadro, aponta o relatório, é um indicativo da necessidade urgente da adoção de iniciativas por parte do poder público para conscientizar a categoria sobre os riscos e os males provocados pelo consumo das substâncias.
Em paralelo, a falta de mão de obra qualificada potencializa os riscos de acidentes. O Ministério Público apurou que é crescente a quantidade de caminhões que trafegam pelas estradas com excesso de carga. Com menos caminhoneiros no mercado, as empresas levam mais do que o permitido nas viagens.
Das mais de mil mortes de profissionais das estradas que acontecem todos os anos nas rodovias brasileiras, parcela delas indica que os acidentes foram provocados pelo consumo de drogas. A Universidade Federal de Minas Gerais calcula que três em cada dez caminhoneiros usam rebites e anfetaminas para ficarem acordados ao volante.

Nenhum comentário:
Write comentários